Ainda te chamam de menina morena, mesmo prestes a te
tornares quatrocentona.
Mas
há de se perguntar, às vésperas do teu quarto centenário:
Será
que tá tudo bem, Belém?
Em
tuas ruas, além das sombras das frondosas mangueiras a amenizar o calor,
recrudesce, dia e noite, o sombrio abandono das tuas crianças.
Em
tua atmosfera, o cheira-cheira do tacacá e o delicioso aroma das tuas frutas
concorrem com o lixo que não suportamos cheirar.
Em
tuas escolas, onde o presente é de esquecimento, educadores e estudantes te
imploram pelo futuro.
Teus
filhos e filhas, largados à própria dor, nos corredores e no chão das unidades
de saúde, sem remédio para aliviar os males, sem tratamento e atenção, reclamam
teu colo de mãe.
Teu
povo te quer de volta, Belém!
Teu povo te quer liberta do abandono
do maltrato.
Teu
povo, amável e hospitaleiro, lutador e insubmisso, te quer de volta!
Belém,
Belém, que todas as manhãs acorda a feira na beira do Guajará, eis aqui o teu
povo desperto e ávido para saciar os murmúrios de saudades que há muito latejam
no peito.
Saudades
da nossa Belém cheirosa e formosa.
Saudades
da nossa Belém que abraçava e acolhia o seu povo e por este era abraçada e
acolhida.
És,
Belém, nossa bandeira.
És,
Belém, nossa terra, nossa casa, nosso chão.
E é
por ti, Belém, que conclamamos o teu povo à luta.
É por
ti, Belém, que conclamamos o teu povo a um esforço que não cabe num único
segmento da sociedade, ou numa única pessoa, ou num único partido.
E a
que luta e esforço nos referimos?
A
luta e o esforço para devolver Belém ao seu povo; para devolver o povo à sua
cidade; para devolver à Belém e ao seu povo o direito a um presente e a um
futuro de justiça e felicidade.
Mas
se essa luta e esse esforço não cabem num único segmento social, ou numa única
pessoa, ou num único partido, cabem muito menos aos que usurparam as riquezas
da nossa cidade e seqüestraram a esperança de seu povo.
Essa
luta e esse esforço são dos que fazem da busca por justiça e felicidade
coletivas, a razão de ser dos eleitos e a única razão ética que justifica os
governos.
O
governo de Belém a ser eleito para o próximo quadriênio (2013 a 2016) será o
governo dos 400 anos. Façamos valer o dito popular segundo o qual cada povo tem
o governo que merece.
E que
governo o povo de Belém merece em seus 400 anos?
O que
merecemos, e queremos, é um governo que governa com participação e controle
social; que cuida de suas crianças e idosos; que preza e pratica a
solidariedade; que governa com transparência; que não usurpa, malversa ou
dilapida o bem público; que busca obstinadamente a justiça e a felicidade para
todos; que mira o futuro sem descuidar-se do presente de seus filhos e filhas,
naturais e adotivos.
O
povo de Belém quer de volta o direito a um presente e a um futuro dignos. Quer
de volta o direito de sonhar, pois já o provou, não faz muito tempo, e não
esquece o gosto.
Este
manifesto, mais do que uma declaração de amor por Belém, é o ato inaugural de
um movimento cívico no qual o povo de Belém é o protagonista.
Com
fé no que virá, exortamos homens e mulheres, jovens e idosos, trabalhadores, empresários,
estudantes, enfim, todos e todas, a aderirem a esse movimento cívico que haverá
de devolver Belém ao seu povo.
Manifesto extraído das redes sociais: www.belemnasmaosdopovo.wordpress.com
Raphael Lennon.
Presidente da Confraria Alta Qualidade. Gestão 2012.
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