quarta-feira, 18 de abril de 2012

TEU POVO TE QUER DE VOLTA, BELÉM!


Ainda te chamam de menina morena, mesmo prestes a te tornares quatrocentona.
            Mas há de se perguntar, às vésperas do teu quarto centenário:
            Será que tá tudo bem, Belém?
            Em tuas ruas, além das sombras das frondosas mangueiras a amenizar o calor, recrudesce, dia e noite, o sombrio abandono das tuas crianças.
            Em tua atmosfera, o cheira-cheira do tacacá e o delicioso aroma das tuas frutas concorrem com o lixo que não suportamos cheirar.
            Em tuas escolas, onde o presente é de esquecimento, educadores e estudantes te imploram pelo futuro.
            Teus filhos e filhas, largados à própria dor, nos corredores e no chão das unidades de saúde, sem remédio para aliviar os males, sem tratamento e atenção, reclamam teu colo de mãe.
            Teu povo te quer de volta, Belém!
            Teu povo te quer liberta do abandono do maltrato.
            Teu povo, amável e hospitaleiro, lutador e insubmisso, te quer de volta!
            Belém, Belém, que todas as manhãs acorda a feira na beira do Guajará, eis aqui o teu povo desperto e ávido para saciar os murmúrios de saudades que há muito latejam no peito.
            Saudades da nossa Belém cheirosa e formosa.
            Saudades da nossa Belém que abraçava e acolhia o seu povo e por este era abraçada e acolhida.
            És, Belém, nossa bandeira.
            És, Belém, nossa terra, nossa casa, nosso chão.
            E é por ti, Belém, que conclamamos o teu povo à luta.
            É por ti, Belém, que conclamamos o teu povo a um esforço que não cabe num único segmento da sociedade, ou numa única pessoa, ou num único partido.
            E a que luta e esforço nos referimos?
            A luta e o esforço para devolver Belém ao seu povo; para devolver o povo à sua cidade; para devolver à Belém e ao seu povo o direito a um presente e a um futuro de justiça e felicidade.
            Mas se essa luta e esse esforço não cabem num único segmento social, ou numa única pessoa, ou num único partido, cabem muito menos aos que usurparam as riquezas da nossa cidade e seqüestraram a esperança de seu povo.
            Essa luta e esse esforço são dos que fazem da busca por justiça e felicidade coletivas, a razão de ser dos eleitos e a única razão ética que justifica os governos.
            O governo de Belém a ser eleito para o próximo quadriênio (2013 a 2016) será o governo dos 400 anos. Façamos valer o dito popular segundo o qual cada povo tem o governo que merece.
            E que governo o povo de Belém merece em seus 400 anos?
            O que merecemos, e queremos, é um governo que governa com participação e controle social; que cuida de suas crianças e idosos; que preza e pratica a solidariedade; que governa com transparência; que não usurpa, malversa ou dilapida o bem público; que busca obstinadamente a justiça e a felicidade para todos; que mira o futuro sem descuidar-se do presente de seus filhos e filhas, naturais e adotivos.
            O povo de Belém quer de volta o direito a um presente e a um futuro dignos. Quer de volta o direito de sonhar, pois já o provou, não faz muito tempo, e não esquece o gosto.
            Este manifesto, mais do que uma declaração de amor por Belém, é o ato inaugural de um movimento cívico no qual o povo de Belém é o protagonista.
            Com fé no que virá, exortamos homens e mulheres, jovens e idosos, trabalhadores, empresários, estudantes, enfim, todos e todas, a aderirem a esse movimento cívico que haverá de devolver Belém ao seu povo.

Manifesto extraído das redes sociais: www.belemnasmaosdopovo.wordpress.com
Raphael Lennon.
Presidente da Confraria Alta Qualidade. Gestão 2012.

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